segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
04/09/08 - 20h35
InfoMoney - http://web.infomoney.com.br//templates/news/view.asp?codigo=1287503&path=/investimentos/

SÃO PAULO - Se as perdas consecutivas já tiravam o sono do investidor, o desempenho da Bolsa em setembro assusta. Agosto sazonalmente é considerado o pior mês para os mercados acionários, que pareciam "baratos" demais para sofrer novas quedas. Ficou para este mês a esperança de melhorias.

Mas setembro chega e traz logo de cara quatro quedas nas quatro primeiras sessões, e o pior: a mais recente foi de quase 4%. Ducha de água fria em quem esperava ansioso por qualquer sinal de recuperação. O desempenho das ações deixa no ar, e com elevado teor de revolta, a dúvida do "até onde vai chegar"?

Parece mesmo que o fundo do poço não chega nunca para o Ibovespa. Há três meses atrás, a Bolsa parecia algo intransponível. Dos 73.516 pontos marcados naquele recorde do dia 20 de maio, restaram apenas 51.408 pontos para a abertura do mercado na próxima sexta-feira. Neste breve intervalo de tempo, o índice já perdeu 30%. No ano, acumula desvalorização de exatos 19,53%.

Fica difícil passar uma mensagem de otimismo em um momento como este. A queda da quinta-feira (3) veio alimentada por sinais claros de desaquecimento da atividade econômica em nível global. Antes mera correção de preços, as commodities agora enfrentam trajetória negativa e figuram entre os maiores expoentes desta impressão de que o consumo deve ser mesmo penalizado, e em nível global.

Veio dobrado para o Brasil
Pior então para o Brasil. Reconhecido internacionalmente como um dos principais fornecedores de matérias-primas ao restante do mundo, a queda dos contratos futuros de petróleo, metais básicos e produtos agrícolas parece ter efeito dobrado sobre o mercado doméstico.

Wall Street também não fica de fora. Contribui com a reação negativa a seguidos indicadores ruins da economia norte-americana. Desta vez foi o mercado de trabalho que escancarou seus problemas. Pior ainda: a próxima sessão traz o geralmente conturbado Employment Report. A mensagem de otimismo fica mesmo para depois.

"Fundo do poço" que não chega...
Apesar do ciclo de baixas da Bolsa consolidado, as apostas de grande parte dos analistas seguem vislumbrando um Ibovespa com saldo positivo no final do ano, ainda que com leve variação na comparação com os anos anteriores.

As incertezas ainda são muitas, por isso fica muito complicado se apegar a apostas pontuais. Mas se não dá para ver otimismo agora, que venha mais para frente. Exatamente daí que pode sobrar a esperança dos que resistiram até agora.

Chamou atenção um comentário de André Paes, diretor de estratégias e produtos da Infinity Asset Management, sob medida para o cenário atual. À frente do famoso "até onde vai chegar", o analista preferiu apontar uma previsão de recuperação sim, mas de médio e longo prazo.

Fica para depois
Exatamente a tônica do investimento em Bolsa de Valores. No curto prazo fica muito difícil traçar uma visão otimista, pela diversidade de fatores ainda indefinidos. A propósito: 2008, para Paes, entenda-se curto prazo.

Diante de tal desvalorização acumulada (19,53%) não dá para 'jogar as fichas' em mais um fechamento de ano positivo ao Ibovespa. Mas o analista já vê sinais de exagero, inclusive sobre as protagonistas Vale e Petrobras. A Bolsa realmente parece "barata" nos atuais patamares, mas frente ao cenário de tantas incertezas, ainda não permite o rótulo de "fundo do poço".

Para quem está dentro: "Eu não sairia agora", sugere Paes. Aos que querem entrar: "Podem esperar mais um pouco", conclui. A atual estrutura do mercado pede tal contexto. Não dá para traçar perspectivas ou afirmações pontuais, mas como lição aos mais afoitos, a perspectiva de recuperação é de médio a longo prazo.


Felipe Miranda
Citigold
Global Consumer Bank Citi
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