quarta-feira, 11 de março de 2009

Reportagem do Jornal Valor Econômico

Gostaria de fazer uma proposta aos meus colegas economistas, principalmente aos que têm acesso à mídia e são formadores de opinião. Que tal aprofundarem-se melhor nas
análises dos verdadeiros efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira e parar de vender expectativas negativas?

Tenho observado inúmeros diagnósticos a respeito de um futuro nebuloso para a economia, com risco de desemprego e outros prognósticos que nem sempre estão baseados na
realidade do dia-a-dia do funcionamento das nossas empresas e da economia. Afirmar que a economia brasileira é globalizada e, por isso, não ficará imune à crise, parece ser uma
simplificação muita exagerada da realidade.
O fato de uma grande mineradora ter feito demissões e também o episódio em que um pequeno número de grandes empresas perdeu um significativo volume de recursos com
operações inovadoras (derivativos de câmbio) não devem ser considerados o fim do mundo. Vale recordar que a mineradora vinha conseguindo excepcionais índices de crescimento
dos seus negócios, inclusive nos preços. Quanto aos prejuízos com derivativos, as perdas das empresas foram ganhos dos bancos e, por isso, o efeito macroeconômico desse
episódio pode ser considerado irrelevante.
As grandes perdas verificadas na Bovespa no ano passado também podem ser encaradas como uma situação normal, se considerarmos o enorme volume de recursos que
anteriormente foram injetados na bolsa por investidores internacionais.
O consumidor brasileiro, em sua grande maioria, não possuía dinheiro aplicado na bolsa. Os bancos brasileiros também não aplicaram recursos em papéis subprime no mercado dos
Estados Unidos. Assim, os prejuízos sofridos pelos bancos internacionais, especialmente os americanos, não tiveram qualquer reflexo na indústria bancária brasileira. Da mesma
forma que os prejuízos decorrentes da queda da bolsa devem ter ficado restritos a um pequeno número de investidores nacionais, que, inclusive, conhece muito bem o grau de risco
inerente a esse tipo de investimento.
A retração que por ora se verifica na indústria automobilística brasileira também não é o "fim do mundo", especialmente porque essa indústria vinha trabalhando como nunca e
registrando elevados índices de produção e vendas, cuja base de sustentação era um sistema de financiamento que vinha operando em bases anormais. Financiar automóveis com
prazo de até 100 meses, sem que o comprador (financiado) precisasse pagar qualquer valor como entrada, parece ser uma sistemática que foge aos padrões normais de qualquer
sistema de crédito que pretenda ser seguro e duradouro.
Quanto à restrição de crédito às empresas, imposta pelos bancos comerciais, pode-se entender como uma precaução momentânea e até certo oportunismo. Sabe-se que os recursos
destinados ao crédito comercial - a exemplo de descontos de duplicatas, capital de giro, crédito direto ao consumidor e outras linhas de curto prazo pela maioria dos grandes bancos
comerciais brasileiros - há muito tempo não dependem de linhas internacionais. A exceção fica apenas para as linhas de crédito destinadas a financiar as operações de comércio
exterior, a exemplo dos tradicionais ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio) ou ACE (Descontos de Cambiais Entregues), que continuam sendo operacionalizadas sempre com
recursos captados em bancos internacionais.
Estas linhas, sim, foram reduzidas, mas deverão voltar à sua normalidade em breve, pois são operações sempre de curto prazo, muito lucrativas e com baixo risco. Os grandes
bancos internacionais têm interesse em restabelecê-las, tendo em vista que precisam, mais de que nunca, de receitas.
A orientação para que o consumidor aperte o cinto e deixe para o futuro as suas decisões de consumo é válida, desde que o objetivo seja evitar o elevado grau de endividamento, a
exemplo do que vem ocorrendo com a liberação de crédito consignado, cujos prazos chegam a 72 meses (ou 6 anos). Tomar crédito nesse prazo para consumir pode ser considerado
um absurdo, da mesma forma que também é absurdo se financiar carros em até cem meses, com zero de entrada.
Os fundamentos da economia brasileira seguem firmes. Precisamos parar de falar em crise e continuar trabalhando, com vigor e otimismo, para o engrandecimento do Brasil.

Rafael Bernardino de Sousa é economista, consultor financeiro independente e possui a certificação Certified Financial Planner (CFP)
E-mail: rafael.bernardino@uol.com.br

terça-feira, 10 de março de 2009

Agenda: PIB 2008 e o início das reuniões do Copom
Nesta terça-feira (10/03), o investidor terá novamente uma agenda doméstica agitada, com a divulgação de dados inflacionários, a Pesquisa Industrial Mensal e outros indicadores. O destaque, porém, fica por conta do PIB do quarto trimestre de 2008 e o acumulado do ano, além do início das reuniões do Copom. O grupo composto basicamente pelos oito membros da Diretoria Colegiada do Banco Central e presidido pelo presidente da autoridade monetária reúne-se através do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) com intuito de definir as diretrizes da política monetária e a taxa básica de juros do Brasil. Resultado da reunião será divulgado amanhã (11/03), após horário de pregão. Um pouco mais calma, a agenda do investidor nos Estados Unidos traz apenas números relacionados às vendas ao varejo.
Petrobras e um possível vazamento de informações
Na noite de ontem (09/02), a Petrobras enviou um comunicado ao mercado e à Comissão de Valores Mobiliários sobre um possível vazamento de dados a respeito do último resultado trimestral e anual da estatal. As investigações começarão através de uma comissão interna que verificará como que certos analistas tiveram acesso aos números enquanto os pregões ainda operavam. Os resultados do quarto trimestre de 2008 e o balanço acumulado do ano foram divulgados na sexta-feira (06/02) somente após o fechamento do pregão. A empresa registrou um lucro recorde de R$ 32,98 bilhões em 2008, o que significa uma alta de 53,4% em relação a 2007. Mesmo marcando um novo recorde, aparentemente os resultados não agradaram intensivamente grande parte dos investidores e analistas ou tiveram suas variações impactadas pela queda dos mercados internacionais.
Últimos resultados corporativos em destaque
O Banco Safra conseguiu fechar 2008 com uma leve alta de 1,5% ao apresentar um lucro líquido de R$ 843,4 milhões. Segundo a instituição financeira, o principal ponto na estratégia contra a crise internacional nos resultado da empresa foi priorizar a administração do crédito, preservando assim, a qualidade das carteiras.


Fonte: ADVFN

10 corretoras indicam ações para março

Para analistas, concentrar os investimentos em ações conservadoras ainda é a melhor opção
| 03.03.2009 | 08h19

Portal EXAME -

As medidas tomadas pelos Estados Unidos e por países da Europa para enfrenta a crise global apontaram uma luz no fim do túnel para o mercado financeiro. Analistas e investidores aguardam ansiosos os efeitos dos diversos pacotes de ajuda anunciados nos últimos tempos, mas enquanto os resultados não vêm, são as ações de setores conservadores que concentram as recomendações dos especialistas.

A previsão para os próximos pregões é de mais sobe-e-desce nas bolsas de todo o mundo. Por isso, empresas menos expostas às oscilações de mercado, como as de energia elétrica, saneamento básico, telefonia e concessões rodoviárias continuam sendo as preferidas dos analistas. Essas companhias, além de serem boas pagadoras de dividendos, apresentam grande previsibilidade de fluxo de caixa, já que a demanda por seus serviços sofre pouca influência do cenário macroeconômico. Neste mês, duas corretoras incluíram os papéis da CCR Rodovias em suas carteiras. As ações de Telesp, Cemig, Transmissão Paulista, entre outras, também são apontadas como boas opções.

Para o longo prazo, entretanto, os analistas mantêm as recomendações de compra para as ações da Vale e de siderúrgicas. A expectativa é de recuperação dos papéis, que podem vir a apresentar resultados superiores à média do mercado. As projeções das corretoras apontam potencial de valorização de até 144% para as ações da Vale, 130% para as da Gerdau e 158% para as da Usiminas. O aumento recente nos preços do minério de ferro no mercado à vista na China indica uma possível retomada no crescimento da atividade industrial no país - o que seria bastante benéfico para os negócios das empresas brasileiras. Além disso, o início das obras de infra-estrutura, que fazem parte dos planos de ajuda lançados por vários países, também contribuem para o aumento gradativo da demanda. Por ora, porém, os analistas recomendam cautela. As ações permanecem na carteira sugerida de praticamente todas as corretoras, mas os investidores devem ter em mente que o retorno virá somente a longo prazo.

O mesmo raciocínio é válido para as ações da Petrobras. Apesar das dúvidas quanto à viabilidade econômica de novos projetos na região do pré-sal, os papéis continuam sendo indicados por nove das dez corretoras consultadas. Nas últimas semanas, os preços do petróleo no mercado internacional vêm subindo, o que, na avaliação dos especialistas, reflete a maior procura por derivados nos Estados Unidos - em especial gasolina -, devido aos atrativos preços praticados no mercado.

O setor financeiro, que foi agitado este ano por novas fusões e aquisições, também é visto com bons olhos pelos especialistas. Diferentemente dos bancos americanos e europeus, os brasileiros, na avaliação dos analistas, apresentam sólidos fundamentos. Ao apontar o melhor do setor, os analistas se dividem entre Bradesco e Itaú.

As carteiras sugeridas pelas corretoras

Ágora
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
Petrobras PETR4 31,30 26,40 18,56
SulAmérica SULA11 46,43 19,85 133,90
Vale VALE3 44,16 30,87 43,05
Gerdau GGBR4 27,21 12,66 114,93
Cemig CMIG4 48,04 33,25 44,48
Energias do Brasil ENBR3 36,96 23,40 57,95
BM&FBovespa BVMF3 9,26 5,95 55,63
Telesp TLPP4 54,64 44,19 23,65
Itaú ITAU4 36,45 22,20 64,19
Alterações
Entra: Itaú
Sai: Itaúsa
Alpes
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
Vale VALE5 38,00 26,83 41,63
Petrobras PETR4 36,00 26,40 36,36
Bradesco BBDC4 32,00 20,70 54,59
Copel CPLE6 34,00 22,30 52,47
Aços Villares AVIL3 0,91 0,49 85,71
Alterações
Não houve
Geração Futuro
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
Usiminas USIM5 63,61 24,62 158,37
Petrobras PETR4 42,52 26,40 61,06
Gerdau GGBR4 29,16 12,66 130,33
VCP VCPA4 51,29 11,50 346,00
Taurus FJTA4 10,30 3,65 182,19
Weg WEGE3 22,46 11,73 91,47
Randon RAPT4 16,58 5,07 227,02
Vale VALE5 41,40 26,83 54,30
Alterações
Não houve
HSBC
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
CSN CSNA3 Não informado 31,35 -
Tractebel TBLE3 Não informado 17,79 -
Petrobras PETR4 Não informado 26,40 -
Vale VALE3 Não informado 30,87 -
Cemig CMIG4 Não informado 33,25 -
CCR Rodovias CCRO3 Não informado 23,18 -
Telesp TLPP4 Não informado 44,19 -
Itaú ITAU4 Não informado 22,20 -
Alterações
Entram: CSN, CCR Rodovias
Saem: Usiminas, Ambev
Intra
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
Souza Cruz CRUZ3 Não informado 48,00 -
Itaú ITAU4 Não informado 22,20 -
CPFL Energia CPFE3 Não informado 31,45 -
Telesp TLPP4 Não informado 44,19 -
Bradesco BBDC4 Não informado 20,70 -
Petrobras PETR4 Não informado 26,40 -
Transmissão Paulista TRPL4 Não informado 45,30 -
Vale VALE5 Não informado 26,83 -
Natura NATU3 Não informado 21,70 -
Redecard RDCD3 Não informado 25,00 -
Localiza RENT3 Não informado 8,00 -
Gerdau GGBR4 Não informado 12,66 -
Alterações
Entra: Gerdau
Sai: Sabesp
Link
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
AES Tietê GETI4 22,30 17,65 26,35
ALL ALLL11 16,00 8,17 95,84
Ambev AMBV4 131,00 95,89 36,61
Bradesco BBDC4 Em revisão 20,70 -
CCR Rodovias CCRO3 34,00 23,18 46,68
Itaúsa ITSA4 Em revisão 7,07 -
Perdigão PRGA3 56,00 29,61 89,13
Transmissão Paulista TRPL4 61,00 45,30 34,66
Bradespar BRAP4 35,00 22,40 56,25
Sabesp SBSP3 34,00 24,04 41,43
Alterações
Entra: Sabesp
Sai: CSN
Planner
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
Petrobras PETR4 48,60 26,40 84,09
Ultrapar UGPA4 72,55 54,63 32,80
Bradesco BBDC4 55,00 20,70 165,70
Redecard RDCD3 39,50 25,00 58,00
Souza Cruz CRUZ3 53,50 48,00 11,46
Ambev AMBV4 125,00 95,89 30,36
Telesp TLPP4 58,75 44,19 32,95
Light LIGT3 29,00 25,56 13,46
Eletrobrás ELET3 35,00 26,20 33,59
Alterações
Entram: Ultrapar, Souza Cruz
Saem: Usiminas, Perdigão
Socopa
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
Petrobras PETR4 Em revisão 26,40 -
Copel CPLE6 35,00 22,30 56,95
Vale VALE5 65,40 26,83 143,76
Perdigão PRGA3 59,60 29,61 101,28
OHL Brasil OHLB3 24,50 13,40 82,84
Cemig CMIG4 46,00 33,25 38,35
Bradesco BBDC4 31,20 20,70 50,72
Odontoprev ODPV3 50,00 23,00 117,39
Gerdau GGBR4 21,00 12,66 65,88
Embraer EMBR3 15,20 6,59 130,65
Alterações
Entram: OHL Brasil, Odontoprev
Saem: Unibanco, Randon
Souza Barros
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
Itaú ITAU4 45,00 22,20 102,70
Log-In LOGN3 10,80 6,64 62,65
Petrobras PETR4 38,20 26,40 44,70
Sadia SDIA4 5,80 5,02 15,54
Vale VALE5 38,50 26,83 43,50
Alterações
Entram: Log-In, Sadia
Saem: CSN, Redecard
Spinelli
Empresa Ação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$)* Potencial de alta (%)
Bradesco BBDC4 36,00 20,70 73,91
Banco do Brasil BBAS3 26,00 13,85 87,73
Itaú ITAU4 35,00 22,20 57,66
Cemig CMIG4 45,00 33,25 35,34
BM&FBovespa BVMF3 10,40 5,95 74,79
Petrobras PETR4 45,00 26,40 70,45
Vale VALE5 45,00 26,83 67,72
Copasa CSMG3 30,00 20,79 44,30
CCR Rodovias CCRO3 27,00 23,18 16,48
Usiminas USIM3 40,00 24,62 62,47
Alterações
Entra: CCR Rodovias
Sai: Telesp

* Cotação de fechamento de 27 de fevereiro de 2009
Fontes: corretoras