quinta-feira, 29 de maio de 2008

Volatilidade aumenta em carteiras de uma ação só

28/5/2008 - Volatilidade aumenta em carteiras de uma ação só - Valor

As últimas semanas mostraram como é emocionante a vida dos cotistas que aplicam em fundos de uma só ação. A carteira com papéis da Nossa Caixa disparou 35% na última semana, com a possibilidade de incorporação pelo Banco do Brasil. Os fundos Petrobras também subiram com força, 3,64% na semana passada. Mas, naquele mesmo período, os fundos da Vale recuaram 5,22%, em média.

A semana foi significativa para mostrar como o risco de fundos de um único papel é muito mais elevado do que o daqueles mais diversificados, com uma cesta de diferentes ações do mercado, observa Marcelo D'Agosto, diretor do site financeiro Fortuna. "Sempre um deles vai render mais, mas todos têm mais risco e o investidor que tentar acertar qual o melhor a cada momento pode perder." Os fundos de ações caíram 0,88% na semana passada para 1,81% do Índice Bovespa no mesmo período.

Atualmente, mais de R$ 20 bilhões de recursos próprios dos investidores estão aplicadores em fundos de um só papel (excluídos, portanto, os fundos com dinheiro do FGTS). Essa quantia é quase um quarto dos R$ 89,8 bilhões em outros fundos de ações, segundo os dados do Fortuna. "Esses fundos de uma ação só tendem a ter uma volatilidade maior e são menos previsíveis do que uma carteira diversificada", diz D'Agosto. O resultado passado dessas carteiras não diz muito sobre lucros ou perdas futuras, mas revela a oscilação que pode ser esperada.

No caso do Índice Bovespa, a perda esperada para o período de um mês, com intervalo de confiança de 95%, é de 11,37% - essa medida é chamada de "Value at Risk" ou apenas VaR. Ou seja, é esperado que um fundo Ibovespa passivo perca até essa marca em 30 dias, explica D'Agosto. Já para os fundos PIBB, mais diversificados, que aplicam segundo o IBrX-50, o VaR é de 10,90%. Isto é, o PIBB é menos volátil que o Ibovespa. No caso dos fundos de apenas um papel, porém, essa medida é muito maior. Segundo o Fortuna, a medida é de cerca de 14% no caso dos fundos Vale e acima de 14% para os Petrobras. Já o fundo exclusivo de ações da Nossa Caixa, o VaR é de 38,17%, segundo dados do site financeiro. Ou seja, seria esperada perda de quase 40% em um mês.

No Banco do Brasil (BB), os fundos de Petrobras e Vale reúnem R$ 4,8 bilhões, quase metade do patrimônio de R$ 10,8 bilhões aplicados em fundos de ações distribuídos no varejo. Apesar de a teoria moderna de investimentos atrelar a eficiência de uma carteira à diversificação, as ações da petrolífera e da mineradora têm fundamentos para atrair a atenção dos investidores, diz o gerente executivo de Fundos de Ações da BB DTVM, Jorge Marino Ricca. "Primeiro veio o 'investment grade' (grau de investimento) no fim de abril, que beneficiou todas as ações", afirma. "E, no caso específico da Petrobras, as descobertas anunciadas, o esforço para aumentar a produção e reduzir custos podem se traduzir em resultados futuros melhores."

Apesar de acumular alta de 17% no mês, as ações ordinárias (ON, com voto) da Petrobras caíram 4,05% só ontem. Vale ON, por sua vez, sobe 12,40% no ano e recua 0,84% no mês. Para Ricca, a volatilidade recente é fruto de um movimento de realização de lucros natural na Bovespa, depois de as ações, junto com as siderúrgicas, levarem o Ibovespa à casa dos 74 mil pontos. Ele sugere, porém, que o investidor divida, sim, os seus recursos em outras carteiras, em fundos que acompanham o índice ou o IBrX-50 e em portfólios ativos, sempre sob a ótica do longo prazo.

Como a liquidez da própria Bovespa é concentrada em Petrobras e Vale (35%, considerando-se as ações PN e ON), ao investir nas carteiras que reúnem esses papéis, o investidor está garantindo o trânsito fácil na entrada ou na saída, diz o vice-presidente de Gestão de Ativos de Terceiros da Caixa, Bolivar Tarragó. "Ao mesmo tempo, pode ser ruim porque nos momentos em que o estrangeiro quer sair do mercado, ele vende as mais líquidas e, por isso, a volatilidade alta."

Um país inebriado pelo sucesso

5/28/2008 - Um país inebriado pelo sucesso - Valor

Nas últimas semanas, a grande imprensa estrangeira se rendeu ao momento positivo vivido pelo Brasil. A severa revista inglesa "The Economist" qualificou o país de "superpotência econômica", prestes também a se transformar em grande produtor e exportador de petróleo. Já o geralmente incrédulo diário americano "The Wall Street Journal" afirmou que, finalmente, a economia brasileira colocou um "B", de Brasil, na sigla Bric, que designa as potências emergentes.

O "The New York Times" escreveu recentemente que os brasileiros vivem momento inédito de prosperidade e que o país está "descolando" da recessão americana. Usando um tom mais prudente, o rigoroso "Financial Times" saudou o momento brasileiro, mas advertiu que "grau de investimento", a classificação de normalidade dada recentemente ao Brasil pela Standard & Poor's, "não é um distintivo de desenvolvimento".

Há duas semanas, um repórter da revista americana "US News & World Report" fez um périplo pelo país e ficou impressionado com o desenvolvimento do agronegócio. Ao passar por Brasília, quis saber por que, apesar disso, os brasileiros, principalmente os citadinos e os que vivem no litoral, não dão a menor bola para esse fato. Atônito, ele dizia que o Brasil está sendo visto lá fora como um produtor abundante em duas áreas onde há escassez mundo afora: energia renovável (etanol e hidrelétrica) e não-renovável (petróleo) e alimentos.

Dentro do país, brasileiros questionam por que a mídia nacional não enxerga este momento do país com os mesmos olhos dos estrangeiros. Uma possível explicação estaria no fato de que a imprensa brasileira está calejada. A sucessão de crises e frustrações durante décadas teria forjado na opinião pública o sentimento de que o Brasil jamais dará certo. Qualquer percepção fora desse contexto seria ingênua e precipitada.

Outra razão para o suposto pessimismo estaria na natureza do atual debate político. Reconhecer o sucesso do país seria dar um salvo-conduto ao governo Lula, uma administração manchada por escândalos de corrupção, como o "mensalão". Ninguém é, de fato, obrigado a aprovar a gestão do atual governo por que os indicadores econômicos e sociais melhoraram. Por outro lado, não há como negar que o Brasil vive momento especial, talvez, histórico, e ele é obra, ainda inacabada, de cinco governos civis e não apenas da gestão Lula.

Em 23 anos, cinco presidentes deram contribuições à modernização da economia. José Sarney (1985-1990) apostou na democracia e iniciou o debate das mudanças econômicas - foi em sua gestão que se começou a discutir privatização. Fernando Collor (1990-1992) abriu a economia, vendeu as primeiras estatais e lançou agenda de reformas. Itamar Franco (1992-1994) investiu na democracia, bancou o Plano Real e, mesmo constrangido, deu seguimento às privatizações - a CSN foi leiloada em sua gestão.

Em oito anos de governo, Fernando Henrique Cardoso quebrou monopólios estatais, acelerou a desestatização e fez a primeira reforma da Previdência. Em 1999, depois de uma sucessão de equívocos que mantiveram o real artificialmente valorizado e que quase quebraram o país, aperfeiçoou a política de estabilização, com a adoção do tripé metas para inflação-câmbio flutuante-superávit primário nas contas públicas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu em 2003 e redobrou a aposta na política econômica herdada de FHC. Avançou nas políticas sociais, mas interrompeu as privatizações e o processo de reformas estruturais (desistiu, inclusive, de se empenhar na regulamentação da reforma da Previdência do setor público que aprovou no Congresso). Beneficiário de uma conjuntura internacional favorável, faturou o controle da inflação, a auto-suficiência do petróleo, o grau de investimento, a redução da pobreza etc.

Tendo sobrevivido a uma crise política aguda em 2005, que poderia ter lhe custado o mandato, Lula desistiu do Congresso. Desde o primeiro mandato, o governo não tem uma agenda legislativa. O Congresso está paralisado, como se o país já tivesse resolvido todos os problemas. A situação é peculiar e anômala: o presidente é o mais popular em décadas, tem maioria congressual, o apoio de 14 partidos, mas se recusa a propor mudanças relevantes. Talvez esteja aí, no absurdo dessa situação, o descompasso entre a percepção estrangeira e a nacional. Um forasteiro jamais compreenderia o significado da inércia.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), embora bem-intencionado, é limitado - o governo, há quatro anos, reajusta sem parar, e sempre acima da inflação e do PIB, os gastos com salários do funcionalismo; enquanto isso, os investimentos em infra-estrutura mantêm-se num patamar modesto, inferior a 1% do produto (sozinha, a Petrobras está investindo em 2008 cinco vezes mais do que a União).

O inegável sucesso do momento inebria o presidente Lula. Na prática, embora o país continue no rumo certo, ao contrário de vizinhos como Argentina e Venezuela, a inação diminuirá o potencial de crescimento econômico a longo prazo. Na verdade, já é possível ver as limitações no curto prazo - está ficando cada vez mais claro que o Brasil não consegue crescer 5% por dois anos consecutivos, sem pressionar a inflação.

Guido Mantega, o anti-herói

Se Lula tenta ser o protagonista da promissora fase brasileira, o Ministério da Fazenda trata de brigar com seus fundamentos, o que também só é possível num período como o atual. A Fazenda segue agindo feito barata tonta, vendo crise onde não há, produzindo idéias exóticas "às pamparras", em vez de se ocupar do que pode, aí sim, provocar crise a médio ou longo prazo: o crescimento acelerado e injustificável dos gastos públicos e a contínua elevação da carga tributária.

Enquanto isso, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, segue pelejando para executar as obras do PAC.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Carta Mensal da Geração Futuro

Geração FIA entre os primeiros no Ranking de Fundos da ValorInveste

A última edição da revista ValorInveste, de maio de 2008, apresenta o Star Ranking,
levantamento dos melhores fundos de investimento por categoria, elaborado pela agência
Standard & Poors, que atribui até cinco estrelas aos fundos classificados nas seguintes
categorias: renda fixa, renda fixa referenciado, renda fixa curto prazo, renda fixa alto
rendimento, renda fixa flex, renda fixa cambial, alocação mista flexível, ações referenciados,
ações ativos e ações diferenciados.
O ranking foi elaborado a partir de uma análise multicriterial dos fundos em questão e, no
caso dos fundos classificados como ações ativos - categoria na qual situam-se o Gera ção FIA
e o Programado Fundo - analisou fatores como: consistência de rentabilidade, isto é, se o
fundo além de rentável têm mantido ao longo dos três períodos a performance favorável,
superação do benchmark nos anos analisados e relação entre o risco e o retorno da carteira.
Para cada um dos itens analisados, foi atribuída uma nota e um peso e posteriormente o
número de estrelas de cada fundo refletiu a performance neste conjunto de atributos.
O Geração FIA aparece bem colocado no Star Ranking, com quatro estrelas, situando-se
entre os melhores fundos na categoria ações ativos, que reúne aqueles fundos que tem
como objetivo superar o comportamento dos índices usados como referência, no caso dos
fundos da Geração, o Ibovespa. Em termos de rentabilidade, entre os fundos com 4 e 5
estrelas, o Geração FIA é o fundo com a 5ª melhor rentabilidade em 12 meses e o fundo
com a melhor rentabilidade em 36 meses, superando inclusive os dois fundos classificados
como 5 estrelas, acumulando neste período – de 01/12/04 a 01/12/07 - rentabilidade de
269,8% bastante acima da valorização de 144,1% verificada para o Ibovespa, seu
benchmark.
A rentabilidade em cada um dos períodos analisados atesta a consistência de resultados do
Geração FIA, que fica acima do Ibovespa em todos os períodos, de 31/12/04 a 31/12/05 o
fundo apresentou 29,1% de rentabilidade ante 27,1% do Ibovespa; de 31/12/05 a 31/12/06
a valorização foi de 87,9% ante 33,7% do Ibovespa e de 31/12/06 a 31/12/07 a oscilação
de 52,4% também foi superior aos 43,7% verificados no principal índice da bolsa, conforme
mostra a tabela abaixo. A análise da valorização nos diferentes períodos é importante, uma
vez que analisados apenas os três anos de desempenho, resultados ruins podem ser
mascarados por uma elevação momentânea nas cotas, já o retorno do historicamente, por
períodos menores, revela como sua rentabilidade se deu ao longo dos períodos, revelando a
consistência do retorno.
Destacamos que o GF Programado FIA não aparece no ranking, pois teve início em 10/05/06
e, por isso, não possui histórico suficiente para participar já que são utilizadas cotas de três
anos para elaboração dos resultados. O Programado fundo, no entanto, posiciona-se
também muito favoravelmente no período de 31/12/06 a 31/12/07, com 62,1% de
valorização, superando em 18,4% oi retorno do Ibovespa no mesmo período.



O resultado do Star Ranking vem a confirmar os contínuos esforços da Geração Futuro em
oferecer resultados elevados e consistentes para os investidores de seus clubes e fundos. Na
Geração Futuro, você tem a oportunidade de, a partir de R$100,0, participar do capital de
um selecionado grupo de empresas - escolhidas através de criteriosa análise
fundamentalista - líderes em seus setores de atuação e que apresentam ótimas perspectivas
de desempenho e elevado potencial de valorização.
A Geração Futuro cria valor para os seus clientes desta forma, oferecendo as melhores
opções de investimento e a oportunidade, para investidores de todos os portes, de
crescerem juntamente com o país e as empresas, com o compromisso de disponibilizar
informações completas e transparentes sobre seu portfólio e performance, além de um
atendimento personalizado, por uma equipe qualificada de consultores.

Carta Mensal da Geração Futuro

Boas notícias para o país e para os investidores dos clubes e
fundos da Geração Futuro


Brasil recebe o rating de grau de investimento

Na última semana, o Brasil recebeu a classificação “Grau de Investimento” pela agência de
rating Standard & Poor’s, para os títulos públicos emitidos em moeda estrangeira. Esta
classificação funciona como um “selo”, informando que o país apresenta condições sólidas
para o pagamento de suas obrigações externas, tornando seus títulos de renda fixa não
mais somente “especulativos”, mas considerados um “investimento”.
Ainda que este “upgrade”, já esperado em função da expressiva melhora dos indicadores
macroeconômicos, maior estabilidade institucional e fortalecimento e continuidade das
políticas públicas, não mude o país de um dia para outro, garantindo que a economia
crescerá de forma consistente e em percentuais elevados, ele traz algumas conseqüências
importantes para os investidores do país, as quais comentamos abaixo.
Convergência das taxas de juros às de outros países com risco de crédito
semelhante – Uma vez que o Brasil, segundo a avaliação das agencias de rating, possui o
mesmo (ou menor) risco de crédito que outros países e ainda paga as taxas de juros reais
mais altas do mundo, existe uma forte tendência de aumento na oferta de recursos
externos para aquisição de títulos brasileiros, beneficiando a captação pública e privada de
recursos.
Como conseqüência da maior oferta de crédito, decorrente da melhor classificação de risco
do país, deve ocorrer uma convergência, no longo prazo, dos juros brasileiros aos
percentuais praticados nos países com risco de crédito semelhante – atualmente com juros
mais baixos. A conseqüência direta deste provável ajuste é a queda nas taxas de juros do
Brasil, no longo prazo, e conseqüente redução na remuneração da renda fixa.
Valorização das empresas brasileiras - No curto prazo, há a expectativa de valorização
nos ativos listados na bolsa de valores pela maior entrada de recursos provenientes de
investidores estrangeiros, dado que muitos destes investidores têm limitações para investir
em países que não ostentam Grau de Investimento. Esta limitação, no caso do Brasil, deve
ser totalmente eliminada quando as agências Fitch e Moody’s também elevarem sua
avaliação de risco. No médio e longo prazos, os ganhos para as ações brasileiras serão
conseqüência dos melhores desempenhos operacionais das companhias, uma vez que os
juros menores reduzirão as despesas financeiras e levarão a maiores níveis de
investimento, tanto pelas empresas brasileiras - devido ao menor retorno mínimo exigido
pelos investimentos - quanto pelos investidores externos - pela exigência do grau de
investimento para aportarem recursos.
Maior crescimento econômico - Em um cenário pós-upgrade, em que os juros
apresentam tendência de redução e o volume de investimentos é ampliado, é possível
afirmar que as taxas de juros para financiamento cairão e os prazos para pagamento
aumentarão, elevando também a demanda por determinados bens, especialmente
daqueles financiáveis, como veículos e imóveis.
Vendas maiores de veículos repercutirão positivamente nas vendas da Usiminas (aço), da
Randon (carretas e autopeças para caminhões), da Petrobras (combustíveis), da Forjas
Taurus (capacetes para motociclistas) e da Plascar (autopeças). A necessidade de realizar
investimentos para ampliar a oferta e atender essa demanda adicional, por sua vez,
aumentará ainda mais as vendas da Weg (motores elétricos), necessários para aumentar a
produção industrial. Já o aumento nas vendas de imóveis, com menores taxas de juros e
maior prazo nos financiamentos, eleva as vendas da Gerdau, uma das principais
fornecedoras para a construção civil. O aumento nas atividades econômicas como um todo,
gera empregos e aumenta o número de pessoas com acesso ao consumo, fatores que têm
fortes impactos na população de menor renda, modificando seus hábitos de consumo e
favorecendo empresas como a Guararapes/Lojas Riachuelo, focada no varejo de vestuário
para as classes B, C e D.
Os motivos citados explicam porque, na visão da Geração Futuro, a classificação do Brasil
como Grau de Investimento e seus efeitos positivos sobre a economia e as empresas,
reforçam nossa expectativa otimista para o desempenho futuro de nossos fundos e clubes.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Standard & Poor's dá categoria de grau de investimento ao Brasil

Decisão melhora a nota do Brasil, que passa a ser considerado investimento seguro.
Nota para os títulos da dívida brasileira em moeda nacional é agora BBB+.
Fernando Scheller, Isabelle Moreira Lima e Ligia Guimarães Do G1, em São Paulo

A agência de classificação de risco Standard and Poor's concedeu ao Brasil o patamar de grau de investimento nesta quarta-feira (30). A decisão representa uma melhora na recomendação do Brasil, que passa a ser considerado investimento seguro para investidores estrangeiros.

A assessoria de imprensa da Standard & Poor's, nos Estados Unidos, confirmou a informação ao G1 às 16h. De acordo com a agência, a nota para os títulos da dívida brasileiros em moeda nacional é agora BBB+, enquanto os emitidos em moeda estrangeira são considerados BBB-.

Aguardada há alguns anos pelo governo e por agentes do mercado financeiro, a notícia foi vista com surpresa pelo mercado, já que não era esperada ainda neste primeiro semestre.

"Eu achava que, com a confusão do mercado lá fora e o aumento de juros aqui no Brasil, mais a piora as contas externas, isso pudesse ser adiado um pouco. Não esperava que viesse em meio a essas notícias ruins recentes", disse ao G1 o economista do Banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal.

O que muda

O principal benefício de o país se tornar "investment grade" é atrair grandes investidores institucionais de países desenvolvidos que, por regras dos seus estatutos, só podem investir em ativos considerados de baixo risco.

Na avaliação do economista do Banco ABC Brasil, a capacidade do país de atrair investimento direto fica muito maior. "Diminui o foco desse problema das contas externas". Para ele, os efeitos da nota melhor poderão eventualmente ser sentidas pelo consumidor, já que as empresas e bancos conseguirão captar dinheiro mais barato no exterior.

Explicação

De acordo com a analista da S&P Lisa Schineller, a elevação da nota brasileira se explica pela mudança na política econômica, especialmente com a redução da dívida externa, e a melhora das perspectivas de crescimento.

A analista afirma que a economia brasileira tem dado sinais de que pode crescer entre 4% e 4,5% ao ano de forma sustentável. "Um mercado de consumo maior, com crescimento do mercado de capitais e da formalização dão sustentação às intenções de investimento", diz a análise.

Quanto à inflação - uma recente preocupação dos formuladores de política econômica, que causou a recente alta da Selic -, a S&P diz que a taxa de 4,7% em março de 2008 (considerados os 12 meses) reflete "não apenas os preços globais de energia e alimentos, mas também a robusta demanda doméstica".

Reconhecimento

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, considera que a elevação do Brasil à categoria de investment grade representa o reconhecimento por parte do mercado internacional do êxito das mudanças pelas quais passou a economia do país. Ao mesmo tempo, sinaliza um ciclo virtuoso para o país.

"A obtenção do grau de investimento consolida as mudanças estruturais ocorridas na economia brasileira nos últimos anos. A estabilização da inflação em níveis internacionais, a geração de superávits comerciais elevados, o acúmulo de reservas internacionais e, finalmente, a elevação do volume de investimentos públicos e privados resultam em novo padrão de crescimento econômico e de inserção internacional da economia brasileira", disse.

Coutinho sinalizou para a possibilidade de uma alta dos financiamentos pelo banco com a nova classificação. "Abrem-se novas oportunidades para o BNDES viabilizar os recursos necessários à expansão do investimento."

Segunda indicação

Para Hugo Penteado, economista-chefe do Asset Management do Banco Real, o grau de investimento concedido pela Santandard & Poor's indica que o país está na direção certa em sua política econômica, mas ainda falta uma segunda indicação para não ter restrições de aplicação.

"Para o Brasil ser considerado local grau de investimentos, evitando a restrição de aplicação de várias entidades no mundo todo, precisa de uma segunda agência também com nota grau de investimentos nas duas dívidas. A Moodys está perto de fechar esse ciclo, pois já colocou a dívida em moeda estrangeira de longo prazo no grau de investimento", disse.

"Falta agora a dívida em moeda local de longo prazo. A Moodys está com a perspectiva estável, portanto, seria necessário mudar a perspectiva e a nota para o Brasil ter realmente o status de grau de investimento passível de receber aplicações de instituições estrangeiros."

Momento inesperado

Para o economista José Luiz Rossi, professor de macroeconomia e pesquisador do Ibmec São Paulo, o Brasil ter recebido o grau de investimento não foi uma surpresa. “Surpreendente foi o ‘timing’, em tempos de crise”, diz Rossi. Segundo ele, em cenários conturbados como o atual, as agências tendem a ser "mais cautelosas".

Na opinião de Rossi, o principal efeito é o aumento da demanda por ativos brasileiros no exterior. O economista cita fundos de pensão, investimentos em renda fixa e variável entre os principais. Há também o chamado “efeito secundário”, uma aprovação da política econômica atual.

“O risco de um país com este tipo de classificação é muito pequeno. Até do ponto de vista interno, o governo agora tem um bom argumento para justificar sua política econômica.”

Para economista e professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Gala, o novo patamar alcançado pelo Brasil é resultado dos bons resultados divulgados pelo governo no primeiro trimestre.

“As contas públicas têm mostrado melhora significativa neste primeiro trimestre. Março foi o primeiro mês, em muito tempo, que o governo economizou mais do que gastou.”

Efeito negativo

Gala diz, no entanto, que o grau de investimento pode ter um efeito negativo sobre o país. “Com o maior fluxo de capitais, o câmbio tende a se apreciar e isso pode prejudicar inclusive a indústria nacional.”

Na avaliação do economista Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, o aumento da oferta de crédito no Brasil pode trazer problemas à economia, se não for acompanhada de melhorias no ambiente de investimento.

"Se não resolvermos problemas internos estruturais e aumentarmos o crédito no Brasil, poderemos elevar ainda mais a demanda e o consumo, e não conseguirmos dar conta de atender", diz.

Segundo ele, é importante que o país resolva gargalos como juros altos, falhas de infra-estrutura e problemas regulatórios para aproveitar o bom momento da economia.

Juros

Para o consultor Francisco Pessoa Faria, da LCA, o grau de investimento alcançado pelo Brasil sinaliza a possibilidade de uma queda da taxa de juros real.

“Todas as economias que receberam o grau de investimento mostraram queda na taxa de juros. Se tem o ‘investment grade’, mais pessoas passam a investir. É uma questão de oferta e demanda mesmo. A médio prazo, pode representar uma queda de juros real.”

Com informações do Valor Online