terça-feira, 2 de outubro de 2007

Lições da instabilidade recente

A recente instabilidade na bolsa de valores é pródiga no aspecto educativo para os novatos no mercado financeiro. Por mais que os especialistas digam que o mercado flutua, alguns investidores ignoram a característica e arriscam-se nesse ambiente. Agem como marinheiros de primeira viagem, que negam temer o mar agitado. Entretanto, ao se lançar ao mar e encarar águas revoltas, entram em desespero implorando para voltar à terra firme. Todo marinheiro experiente sabe que o oceano sempre reservas surpresas. Quando uma tempestade se forma, o mar tranqüilo pode se revelar um grande risco em questão de minutos. Os experientes marinheiros também são certos de que depois de toda tempestade vem a bonança. Porém, a bonança só chega para aqueles que sobrevivem à tempestade.

No futuro, quando olharmos para os gráficos, veremos que o IBOVESPA manteve-se praticamente estável no mês de julho, com uma queda de apenas 0,39%. Porém, quem viveu este mercado no dia-a-dia teve fortes emoções. Em 19 de julho, o IBOVESPA já tinha subido mais de 7% em relação ao início do mês e atingiu o recorde histórico de 58.292 pontos. Já nos dias que se seguiram, os pregões tiveram fortes variações e, no final do mês, o mercado devolveu todo o ganho obtido.

No dia 26 de julho, o pregão foi particularmente interessante: a cotação do dia chegou a cair 6% em relação à abertura, para fechar o dia com 3,7% de queda. O baque de 6% em um só dia apavorou alguns investidores. Mas se considerarmos apenas os pregões pós Plano Real, a queda de 6% representou a 64ª maior diferença entre abertura e mínima – ou seja, em outros 63 dias a bolsa apresentou diferenças maiores do que essa. O recorde foi o dia 10 de setembro de 1998, quando o índice caiu 15,97%. No geral, a queda do dia (3,7%) foi apenas a 138ª maior perda desde 1994. Em resumo, se você ficou apavorado com a tempestade do mercado de ações, saiba que o que você viveu foi apenas uma rápida chuva, com alguma marola mais significativa.

No entanto, a volatilidade afetou também o mercado de renda fixa e não somente o preço das ações. As NTN (Notas do Tesouro Nacional) de prazos mais longos sofreram forte queda. Em especial as NTN-B Principal, papéis que pagam a inflação mais uma taxa de juros fixas no momento da compra. A NTN-B Principal que vence em 15 de agosto de 2024 perdeu 6,8% no seu valor de mercado. Apesar da expressiva queda de julho, esses papéis acumulam alta de quase 30% no ano.

Diante das flutuações, muitos fundos de ações, multimercado e de renda fixa de longo prazo chegaram a apresentar quedas significativas durante o mês de julho. Porém, grande parte destes fundos conseguiu se recuperar, fechando o mês com ganhos.

Jurandir Sell Macedo

Fonte: Banco do Brasil – Diretoria de Verejo

13/08/2007

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